É um tanto quanto difícil falar sobre o que é normal em sexualidade hoje em dia, diante da gama de possibilidades que são apresentadas. Além disso, muitas mudanças aconteceram nos últimos anos, que tornaram o anormal mais aceitável e praticável, mesmo por pessoas mais conservadoras.
Um exemplo é a masturbação: há alguns anos, era considerada pecado, a ela se atribuíam doenças físicas e mentais graves. Hoje se sabe que a masturbação é muito saudável, podendo trazer aos indivíduos maior conhecimento de seu corpo, de seus prazeres e desejos, enfim, melhorar sua vida sexual e a visão do sexo.
Estas mudanças acompanharam a evolução das pessoas, do pensamento humano. Não aconteceram ao acaso, mas sim, auxiliadas por processos científicos que demonstraram o que poderia ser realmente saúde ou doença. E, junto às descobertas do mundo científico, aconteceram os grandes movimentos do pensamento, que abriram portas para uma nova visão do sexo, sem tantos tabus e proibições.
Sabe-se que por sexualidade entendem-se processos biológicos, psicológicos e sociais, portanto, ela está vinculada à rede de valores dos indivíduos, sua forma de apreender o mundo e de se relacionar com ele. E esta combinação torna normal aquilo que é de comum acordo da maioria das pessoas, relegando à minoria a característica de anormal.
Na verdade, sexualidade normal é aquela que não traz nenhum prejuízo físico, emocional ou social às pessoas e aos seus parceiros. Ou seja, a sexualidade de cada um é vista de uma forma. O que para alguns não é permitido, a outros traz prazer e é normal.
Um indivíduo pode gostar de determinada prática sexual, como o sexo anal, por exemplo, e conviver bem com ela, não obrigar seus parceiros a praticá-la ou ficar muitas horas do dia pensando sobre isso. Este exemplo mostra que, apesar deste indivíduo ter um gosto sexual não considerado normal (o sexo anal), isso não traz prejuízos a ele ou a outros, então, pode-se considerar que sua sexualidade é normal.
Enfim, a sexualidade normal é aquela que faz bem ao indivíduo, não colocando-o em situação de risco ou criando ansiedade. Não pode haver prejuízos significativos, sociais ou psicológicos, para que sua sexualidade seja considerada normal. Além disso, práticas e preferências exageradas podem acabar causando estes prejuízos, por isso, também são sinais de sexualidade anormal.
Fora isso, inovar, fantasiar, brincar são componentes da sexualidade das pessoas, fazendo parte do que cada um entende por prazer. Sexo é saúde, faz bem para o corpo e a mente e não tem contra-indicações, cabendo a cada um saber sua medida, a medida de seus desejos e a melhor forma de satisfazê-los, sem prejuízos a si ou a outros.
Por Jonatas Dornelles
Antropólogo
|