Parece-me importante fazer uma pequena excursão pelo corpo
feminino, visto que é significativo o número de mulheres que desconhecem a
anatomia de seus órgãos sexuais, levando a considerações distorcidas sobre
a realidade dos mesmos.
Começamos a viagem pela mama, que embora não seja um órgão
sexual, tem grande importância na sexualidade feminina pois esta associado
a vaidade e a feminilidade da mulher bem como na sua auto-estima.
A glândula mamária esta localizada no tórax, em número de
duas, sendo normal apresentar-se com discreta diferença de tamanho entre si.
È formada por tecido glandular, o qual é responsável pela produção de leite
no período grávido-puerperal, mediante um aumento do hormônio chamado Prolactina.
Na parte central do corpo mamário encontra-se o complexo aréolo- mamilar formado
pela aréola a qual apresenta-se de coloração freqüentemente mais escura e
pelo mamilo que recebe os ductos lactíferos provenientes do sistema glandular.
È o mamilo um órgão eréctil altamente responsivo ao estimulo sexual, mas também
ao frio, toque ou pressão.
Chegando a vulva, esta é formada pelos grandes e pequenos
lábios, os quais possuem forma e tamanhos variados. No vestíbulo vulvar, encontramos
o clitóris que é o principal órgão do prazer feminino. O clitóris é um órgão
cilíndrico, erétil e retrátil, recoberto pelo prepúcio, sendo o análogo do
pênis masculino. È dotado de intensa inervação sendo por isso muito sensível
a estímulos tácteis. Durante o período de excitação, o clitóris torna-se ereto
sendo facilmente visualizado na parte superior do vestíbulo vulvar, na confluência
dos grandes e pequenos lábios, sendo novamente retraído a medida que se aproxima
o orgasmo e durante o mesmo, quando vota a esconder-se atrás do prepúcio.
Logo abaixo, encontra-se o meato uretral, ou seja, o orificio de saída da
uretra. Vale dizer que embora o término do aparelho urinário esteja na região
genital, este funciona independentemente , com funções próprias e distintas
em nada tendo a ver com o sistema genital propriamente dito a não ser pela
proximidade anatômica de algumas estruturas.
A vagina é um órgão com luz virtual, elástico e com profundidade
variável. È na região superior da vagina, em algum lugar do terço distal que
localiza-se o tão famoso ponto G, por vezes muito procurado e não tão facilmente
encontrado. Por ser um órgão dotado de grande complacência, é capaz de acomodar
pênis de diversos tamanhos e espessuras, exceto aqueles dotados de grande
comprimento e que fogem das mensurações ditas normais. No final da vagina
encontra-se o colo uterino, de grande importância pela facilidade de prevenção
e diagnóstico precoce do câncer, através do exame de Papanicolao. É importante
salientar que o pênis não ultrapassa o final da vagina sendo aí, em um lugar
denominado de fundo de saco vaginal, que o sêmen é depositado após a ejaculação.
O colo uterino prolonga-se para dentro da cavidade pélvica
onde encontramos o corpo uterino de forma semelhante a uma pêra. De cada lado
do útero, superiormente, numa região chamada cornual, encontramos uma estrutura
tubular; as trompas uterinas; que são responsáveis pela locomoção dos espermatozóides
e do óvulo para a fecundação. Aliás, é nas trompas em que ocorre a fecundação
e não no útero como muitos pensam.
Logo abaixo das trompas estão os ovários, um de cada lado, que são responsáveis
pela produção dos óvulos e de hormônios, como os estrógenos e a progesterona,
que regem o ciclo menstrual e que dão as características sexuais da mulher.
Com esta passagem breve e sem pormenores da anatomia feminina,
espero ter contribuído para que mulheres e homens possam ter um mínimo de
conhecimento a respeito do corpo feminino, condição por vezes indispensável
para derrubar mitos e para a manutenção de uma vida saudável.
Darci L. D. Janarelli
Ginecologista |