O nascimento propriamente dito desperta sensações agradáveis. Em lugar de sentir dor intensa e ter “o corpo dilacerado pela passagem forçada do bebê”, como teme uma boa parte das gestantes, a maioria das mulheres vive um momento muito gratificante. Quando a criança ultrapassa a vagina, as contrações uterinas deixam de ser percebidas, embora persistam até o desprendimento da placenta.
Numa fração muito curta de tempo, a intensa atividade corporal que antecedeu a expulsão da criança é substituída por uma repentina sensação de relaxamento do corpo. Ao clímax de uma intensa atividade física segue-se uma descontração total, comparável às sensações que acompanham o orgasmo numa relação sexual.
Essas impressões, descritas por algumas mulheres como “um grande ato de amor”, foram relatadas em investigações dirigidas pelos famosos pesquisadores William Masters e Virginia Johnson no passado. Alguns especialistas explicam que os receptores sensitivos (da vagina) são destinados a registrar as sensações de pressão como prazerosas.
Assim, compreende-se a felicidade que experimenta a mulher quando sente deslizar para o exterior o corpo da criança. Trata-se de uma vivência de prazer, e isso nos leva a supor que uma das maiores batalhas do parto ocorre em nível irracional, contra a proibição da sexualidade. A expulsão seria sentida como uma situação sexual em si mesma.
Essa conotação de ordem sexual se manifesta também de outras maneiras. Por exemplo, os músculos que participam ativamente na expulsão fetal são utilizados na ampliação do diâmetro do canal vaginal. Um dos indícios de maturidade sexual na mulher é a utilização adequada dessa musculatura em situações de penetração vaginal.
Mulheres sexualmente maduras, que sentem naturalidade durante a relação sexual, relaxam esse músculo de maneira adequada e espontânea quando ocorre a penetração da vagina. Mulheres que sofrem algum bloqueio em sua expressão sexual — geralmente sob forma de temor à penetração vaginal — não conseguem relaxar esse músculo, mesmo quando solicitadas pelo terapeuta.
Uma vivência ativa e participante no parto pode auxiliar a mulher a conhecer melhor a função desses músculos e, portanto, influir de maneira positiva em sua adequação sexual após o parto. Porém em muitas sociedade, tradicionalmente se mantém um rígido padrão de abstinência sexual durante as seis primeiras semanas que se seguem ao parto.
Do ponto de vista médico, a relação sexual pode ser reiniciada desde que o colo do útero esteja fechado. Duas semanas após o parto, quando já não se verificam, habitualmente, perdas sangüíneas pelos órgãos genitais, esses processos estão concluídos. Porém, a maioria das mulheres apresenta alguma sensibilidade dolorosa nas primeiras três semanas que se seguem ao parto.
Esse aumento de sensibilidade pode ser um impedimento para o reinício da atividade sexual. Convém lembrar que se trata de um fator subjetivo que varia de mulher para mulher e depende da extensão da incisão cirúrgica, caso haja. Quanto a esse impedimento, bem como em relação ao maior ou menor interesse pelo sexo, é evidente que a decisão deve caber à própria mulher.
Hoje, considera-se preferível que o casal deva decidir sobre o momento de retomar o relacionamento sexual. No entanto, geralmente a retomada da atividade sexual da mulher ocorre entre duas ou três semanas após o parto.
Jonatas Dornelles
Antropologo
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