O tema causa controvérsias ainda nos dias atuais. Por definição virgem é aquela pessoa, homem ou mulher, que ainda não teve relações sexuais. Até algumas poucas décadas, esta seria a melhor definição para uma pessoa virgem. Atualmente dizemos que uma pessoa é virgem quando ainda não teve relações sexuais com penetração vaginal, ou seja, mesmo que tenha praticado sexo oral ou anal, tecnicamente ela continua virgem. Há quem defenda a idéia de que aqueles que praticam sexo oral ou anal não são mais virgens, pois isso significaria que teriam iniciado sua vida sexual, porém também há quem diga o contrário.
A virgindade começou a ter importância por volta da idade média, quando passou a ser usada como objeto de troca nas alianças comerciais e econômicas entre os membros da aristocracia, entre os séculos IV e XV. A presença do hímem passou a ser sinônimo de honra e valorização da mulher. Posteriormente ser virgem passou a ser sinônimo de “status” se estendendo as demais camadas da sociedade.
Com a chegada da revolução sexual, a virgindade passou a receber menos atenção. Essa desvalorização está diretamente ligada à busca de uma maior liberdade, inclusive a sexual, principalmente das mulheres. A moda era transar à vontade, sem culpas e sem medo.
Assim nas últimas décadas, podemos dizer que a virgindade passou a ser uma opção, uma escolha.
Atualmente o que se observa na prática clínica é que muitos jovens estão optando por manterem-se castos, virgens, até o casamento. Vários adolescentes relatam que é uma questão de valorização de si mesmo, e não de esperar romanticamente pelo príncipe encantado.
Alguns relatam nunca sequer terem trocado um beijo, muito menos namorado. Esses jovens nunca se masturbaram por que acreditam que a abstinência sexual os torna superiores em relação àqueles que não conseguem passar sem o sexo. Existem pessoas famosas que já assumiram sua a virgindade em vários setores da mídia. Artistas, cantoras e cantores, modelos, e até misses já admiram a virgindade em público. Alguns usaram de sua condição apenas para se promover, outros a usaram para defender e divulgar seus ideais.
Não estou aqui para defender ou erguer uma bandeira contra ou a favor da virgindade. Acredito que ser ou não ser virgem é uma escolha. O motivo de se optar por uma das duas condições não torna ninguém inferior ou superior ao outro, e sim os torna iguais perante seus direitos e valores. É com a maturidade adquirida ao longo de suas experiências, evitando entrar em conflito com seus valores que um jovem deve fazer sua escolha, e nesse caso, só nos resta respeitar tanto o ser humano, como a opção feita por ele.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli
Psicóloga e Sexóloga |