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Todos sabemos, ou pelo menos, a maioria das pessoas sabe,
o que pode acontecer quando se tem uma relação sexual, sem
usar qualquer método contraceptivo. Pelo menos em teoria, certo?
Então por que será que nos dias de hoje tantos adolescentes
se vem diante de uma maternidade indesejada ou correndo o risco de contrair
doenças sexualmente transmissíveis?
Alguns anos atrás, quando ainda cursava psicologia
na faculdade, soube da história de uma adolescente que em função
de iniciar sua vida sexual sem os devidos cuidados, encontrava-se em grandes
apuros: Eram duas irmãs gêmeas, com 15 anos: A e B. "A"
era extrovertida, bem relacionada, boa aluna, de bem consigo e com a vida.
"B", muito tímida, tinha problemas de relacionamento,
desempenho escolar satisfatório, com baixa auto-estima. "B",
resolveu viajar de férias para a casa de uma tia, numa cidade litorânea.
Lá, conheceu aquele que julgava ser seu príncipe encantado.
Ele lhe elogiava, paparicava, realizava todos os seus desejos. Ela, sentia-se
confiante, feliz e realizada como nunca antes tinha sido. Daí para
o sexo, sem o uso de preservativo ou qualquer outro método contraceptivo,
foi um pulo. "B" estava tão apaixonada que não
queria voltar para sua cidade. Sua mãe foi buscá-la, e só
com a promessa de voltar brevemente, ela aceitou voltar para casa. A mãe
só viu o rapaz, na rodoviária, quando se cumprimentaram
momentaneamente, enquanto ele se despedia da garota e lhe entregava uma
carta, com a promessa de que só seria aberta quando ela chegasse
em casa. A adolescente cumpriu a promessa. O conteúdo da carta?
O rapaz confessava ser portador do HIV, e tinha decidido, na sua ira,
disseminar a doença.
Este é um fato verídico com alto grau de
sentimento de culpa, desgaste emocional e ansiedade pelo medo de ter contraído
o HIV, o que felizmente neste caso não passou de um susto.
Aqui, o medo foi em relação a uma possível
contaminação pelo vírus. Mas, não é
este o mesmo processo (ter relações sexuais sem o uso de
preservativos) que leva a ocorrência de uma gestação
inesperada?
Se isso acontecesse algumas décadas atrás,
poderíamos usar como justificativa, o fato de que sexo era um grande
tabu, cercado de mitos, da falta de diálogo entre os jovens e suas
famílias, e da falta de informação adequada sobre
o assunto. Não é o caso da história acima, embora,
esses fatos possam ainda existir em alguns lugares e culturas. Sabe-se
hoje que a maioria dos adolescentes tem acesso a informação
sobre sexo, e isso inclui a prevenção de doenças
sexualmente transmissíveis (DST). O uso do preservativo em todas
as relações sexuais não só é um elemento
de proteção contra DST como também é fundamental
para evitar uma gestação indesejada.
Por tudo isso é que a pratica de sexo seguro é
fundamental. Procure orientação adequada com sua família
ou profissional habilitado e lembre-se que isso pode ser de grande ajuda
na preservação de sua saúde e de sua vida.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli
Psicóloga e Sexóloga
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