Você foi buscar o resultado do exame para saber se está grávida.
Positivo. Você pensa: o que vai mudar na minha vida? Se você é mãe de primeira
viagem quer saber como a gravidez afetará seu relacionamento
sexual. Tem que parar de fazer sexo? Veremos.
A confirmação de uma gravidez traz sentimentos mistos e até
opostos em toda mulher. Fantasias sobre o que vai mudar em sua vida, novas responsabilidades,
aprender coisas novas, deixar de fazer outras. Quando é a primeira gravidez,
essas fantasias vêm acompanhadas de medos. Medo de errar, principalmente.
A vida do casal, antes dividida a dois, agora deve receber um terceiro sujeito.
Por mais desejado e planejado que esse filho tenha sido, a preparação para recebe-lo
vai trazer inseguranças e o inevitável questionamento “Será que estou preparada
(o)?”. Ao longo da gestação, a futura mãe vai se acalmando e vivenciando o processo,
uma etapa de cada vez. O pai, importante não apenas na hora da concepção, mas
também na gestação e depois na criação, está tão inseguro e ansioso quanto a
mulher grávida. Esse pai, antes namorado ou marido, agora é o quê? Um mero espectador?
É preciso faze-lo entender que ele faz parte deste acontecimento.
Neste momento, a mulher, grávida, tem assegurado seu filho, mas sente que pode
perder seu marido. E por que isto acontece? O homem moderno, ao mesmo tempo
em que precisa procriar, também precisa de estabilidade emocional, e fica perdido
ao ver que “já fez o que tinha que fazer”, e agora pode ser descartado. Sentimentos
ambíguos, confusão, insegurança. O homem e a mulher estão vivendo um momento
difícil, não sabem se querem ser pai e mãe, marido e esposa. E também não sabem
que podem vivenciar esses papéis simultaneamente.
Neste rol de sentimentos, o casal se depara com suas fantasias,
suscitadas principalmente por idéias pré-concebidas sobre fazer sexo durante
a gravidez. Na cama, o homem tem medo de tocar a mulher porque acha que pode
machuca-la e perderem o filho. A mulher tem medo de ser tocada pelo mesmo motivo.
Mas o desejo existe, e deve existir, é saudável que exista. Algumas mulheres
inclusive relatam o aumento do desejo sexual neste período, que pode se dar
pelo aumento do nível de hormônios sexuais no seu corpo ou porque não precisam
se preocupar com a contracepção. O bebê, que está dentro da barriga da mãe,
sabe de tudo que está passando e sente que papai e mamãe estão bem ou mal, estão
felizes ou tristes, e sabe que existe o desejo de se amarem. O sexo na gravidez
não vai prejudicar o bebê, não vai causar aborto nem feri-lo, desde que se tome
alguns cuidados durante a relação.
O primeiro passo é se desvencilhar de todos os pré-conceitos
sobre o assunto e viver esse momento a dois do seu jeito, à sua própria maneira,
deixando fluir o desejo que existe na relação. Assim, a prática sexual durante
a gravidez vai aumentar a intimidade e a cumplicidade entre o casal, aliviar
tensões, relaxar e, vamos combinar, dá um enorme prazer, ou seja, quem vive
bem com a sexualidade durante a gravidez só tem a ganhar.
Uma conversa aberta entre o casal e com o ginecologista, vai
ajudar a esclarecer alguns detalhes importantes.Por exemplo, que, durante o
ato sexual, o bebê sente que pai e mãe estão felizes, relaxados, em harmonia,
e fica feliz também, mas ele não vê nada do que está acontecendo, portanto,
o casal não precisa se envergonhar do que quer fazer. Outra dúvida: no momento
do orgasmo, é normal a barriga ficar dura, isso não acelera o parto, como muitos
acreditam, e o movimento do pênis não prejudica o feto, que está lá dentro protegido.
As alterações físicas pelas quais a mulher passa pode ser um
fator que atrapalha na hora da relação, como a diminuição da lubrificação vaginal
e o crescimento da barriga. Fatos que podem ser resolvidos com a utilização
de um lubrificante à base de água, vendido em farmácias, e com ajustes nas posições
eróticas, existindo aí algumas mais adequadas, e por que não dizer, mais cômodas
(como, por exemplo, quando a grávida se senta sobre o parceiro, deixando a barriga
livre e proporcionando um maior controle sobre os movimentos de penetração.
Ou se deitar de lado, usando um travesseirinho sob a barriga, para apoiá-la,
com o parceiro se encaixando por trás). As posições podem e devem ser testadas
até que o casal encontre as melhores, as mais satisfatórias. A barriga crescendo
também pode ser um bom motivo para pedir ao companheiro ajuda na hora de passar
um creme ou óleo para hidratação da pele e aproveitar pra criar “aquele” clima.
Para as últimas semanas, quando a grávida fica mais cansada e há muito medo
de fazer movimentos bruscos, vale lembrar que sexo não se resume apenas à penetração,
há outras práticas que podem ser muito prazerosas, como o sexo oral ou a masturbação
mútua. Isso também serve para quando o médico desaconselhar o uso de posições
muito criativas.
De qualquer maneira, considero importante interromper a prática
sexual e procurar o seu ginecologista assim que houver qualquer uma destas situações:
perda ou mancha de sangue, uma perda de líquido amniótico ou se houver rompimento
da bolsa e, principalmente se você sofreu um aborto em outra gravidez, fale
para seu médico.
Lembre-se que algumas dessas mudanças que ocorrem durante a
gravidez são provisórias, que o mais importante é mãe e pai conversarem bastante
sobre seus sentimentos e buscar ajuda sempre que estiverem com alguma dúvida.
Assim, podem se sentir seguros em seus papéis de pai e mãe, sem deixar de viver
os de marido e mulher. E tudo com muito mais intensidade.
Carla Lunkes Psicóloga e Sexóloga |