O cavaleiro medieval não namorava e sim “fazia a corte”. A expressão faz pensar em belos jardins floridos, damas pálidas e juras de amor trocadas em bilhetes clandestinos. É essa a imagem popularizada por filmes e romances. Nessa época, o casamento nada tinha a ver com o namoro, ou melhor, com a “corte”.
Ainda hoje, em muitas sociedades, as duas idéias permanecem desligadas: o matrimônio é um arranjo entre famílias, no qual pouco interfere o interesse do casal. Na tribo africana dos Borotse, por exemplo, se um homem mostra-se muito “ardente” em relação à própria esposa, a família dele poderá acusá-la de estar empregando magia negra para enfeitiçá-lo.
Na sociedade ocidental moderna o casamento é visto de maneira diferente. Implica expectativas de realização afetiva e um ideal de monogamia. Teoricamente, o homem e a mulher unem-se num compromisso exclusivo e para toda a vida. O namoro assume então um papel importante: é a fase de procura e escolha do parceiro com o qual se deseja viver “até que a morte os separe”. Mas nem sempre foi assim.
Na Europa pré-industrial, a maioria da população vivia em pequenas comunidades rurais isoladas, formadas por grupos de famílias confinadas numa mesma região. Os casamentos eram decididos pelos chefes das famílias, que geralmente se conheciam e tinham interesses em comum. A boa vontade dos noivos tinha um peso desprezível diante do poder patriarcal.
Nos grandes centros urbanos, os jovens têm maior independência para procurar e escolher, fora do controle do grupo familiar, os parceiros que mais lhes interessem. A rede de relações sociais na qual eles participam é ampla, incluindo os círculos da escola, do trabalho, de clubes...
O costume dos casais marcarem encontros e saírem juntos, desacompanhados, é uma invenção norte-americana surgida por volta de 1920 entre estudantes universitários de zonas urbanas dos Estados Unidos. Uma série de mudanças na sociedade ajudaram a produzir a atual forma de namoro dos ocidentais.
A Primeira Guerra Mundial ajudou a acelerar a emancipação dos jovens e das mulheres. Salários altos, mais tempo para o lazer e divertimentos comercializados também influíram na libertação dos jovens da velha dominação patriarcal. Transformando-se junto com a sociedade, o namoro passou a ser encarado como a primeira fase do caminho que leva ao casamento.
Além dessa função, ele pode exercer muitas outras na vida dos jovens. É, para a maioria, um passatempo social importante. O rapaz deseja ser visto em público com uma garota que desperte admiração por parte dos amigos. Ela sabe que o interesse dos rapazes faz com que aumente seu prestígio no grupo que freqüenta. Não é raro os jovens namorarem para ficarem ‘‘na moda’’.
Os primeiros namoros entre os muito jovens são, freqüentemente, motivo de insegurança. A intimidade emocional causa constrangimentos: todos os gestos serão feitos pela primeira vez, há as relações físicas e seus limites, nenhum dos dois sabe bem do que é capaz, o que deseja, o que deve dizer... Nesse momento, o importante é saber respeitar as vontades próprias com segurança.
Jonatas Dornelles
Antropólogo |