Experiência que encanta e maltrata, fortalece a alma e a
torna vulnerável, já descrita como "uma febre geralmente
leve, altamente interessante de ser contraída" - o amor! Mais especificamente,
o amor romântico. Um persistente tema da poesia ocidental tantas vezes
tratado em romances, peças de teatro e cinema. Resta saber se as diferentes
culturas e sociedades humanas encaram todas da mesma forma essa, digamos, "febre"
- o amor!
Segundo algumas teorias, o amor é uma faca de dois gumes.
Pode constituir uma enorme força criativa, inspiradora de grandes obras
da literatura, música e pintura. Em nome do amor há quem lute
para atingir sucesso, fama e fortuna. Por outro lado, pode ser destrutivo. "Sem
teu amor não tenho razão para continuar vivendo", dizem os
dramáticos bilhetes de despedida. Diariamente, um razoável número
de amantes infelizes de todo o mundo é levado ao suicídio.
"Descobri o verdadeiro amor, vou partir". Certa manhã
ela deixa os filhos na escola e simplesmente desaparece!. Ou então é
ele que, para viver ao lado da nova amada, não hesita em abandonar a
família, largando sobre os ombros da mulher a responsabilidade de sustentar
os filhos sozinha. E não é só na harmonia dos casamentos
que os "impulsos de paixão" interferem. Coroas e reinados são
desprezados, cargos e carreiras abandonados da noite para o dia.
Portanto, não é de surpreender que em certas sociedades,
como no Japão tradicional e na Índia, por exemplo, os delírios
de amor sejam considerados uma atitude anti-social. Quando uma moça ou
rapaz se apaixona, pode estar pondo em risco interesses e valores sociais, em
benefício de seus prazeres pessoais. Se nesse caso apenas o amor levar
ao casamento, a união pode ser inadequada. O que resultará num
desastre não apenas para o casal, mas também para o grupo social
em que ele vive.
Em outras sociedades o amor do tipo romântico tem existência
breve e determinada, sendo considerado algo totalmente alheio à idéia
de casamento. Trata-se de uma "fase emocional" própria da adolescência,
de duração limitada. Os adultos são tolerantes com as aventuras
amorosas dos jovens. O que varia de região para região da Terra.
Em cada lugar variam os sistemas que regulam os primeiros contatos entre eles.
Em alguns locais da África oriental, grupos de jovens moram juntos, durante
um certo tempo, tendo toda a liberdade para conviver sexualmente com seus namorados
e namoradas.
Em Samoa, ilha da Polinésia, os rapazes tem sua primeira
experiência amorosa com mulheres mais velhas que eles, já experientes,
que lhes ensinam as "técnicas do amor". Espera-se que depois
eles transmitam seu conhecimentos, tanto no setor emocional como no sexual,
às jovens (moças) que estejam atingindo a puberdade. O casamento
quase nada tem a ver com esse período de aprendizagem. O casamento é
uma espécie de transação à parte: a família
do rapaz escolhe a noiva, estabelece-se o contato entre os pais e são
feitos pagamentos de praxe (paga-se o "dote da moça").
Nas sociedades ocidentais, o amor é idealizado. Desde bem
cedo, os jovens anseiam por viver essa experiência. Em muitas pessoas,
essa busca persiste pela vida toda. Pulando de um "caso amoroso" para
outro, procuram encontrar a mulher ou o homem perfeito, que lhes proporcione
o ideal de felicidade. Uma espécie de "estado de graça eterno".
É o caso extremo do Dom Juan, símbolo do homem que
passa de uma cama para outra, numa busca incessante de emoções
novas. Esse tipo de homem, por estar constantemente procurando a felicidade,
mostra ser no fundo um homem triste, solitário e carente. Características
essas freqüentemente vistas hoje em dia em pessoas que vivem em busca do
seu amor.
Jonatas Dornelles
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