Quando se fala da sexualidade feminina, existem vários
aspectos, que correlacionados contribuem para um bom desempenho e satisfação
da mulher. Esses aspectos são de natureza biológica, neuropsicológica,
cultural e sócio-econômica e estão intimamente correlacionados.
Estatísticas demonstram que o número de mulheres com queixas sexuais
tem aumentado nos consultórios, durante a última década.
Mas, porque falar de depressão? É que essa patologia
exerce significativa influência na vida sexual das pessoas. A depressão
é essencialmente uma doença que se manifesta através de
episódios recorrentes, sendo que a duração dos episódios
é variável (meses a alguns anos) com período normal entre
eles, e, segundo a OMS, afetando mais mulheres (15 a 20%) do que os homens (05
a 10%).
A sintomatologia da depressão é muita variada
e diferente entre os indivíduos. De modo geral, a depressão é
diagnosticada através de uma tríade sintomatológica: inibição
psíquica (apatia, desmotivação, desinteresse, lentidão,
perda da capacidade de iniciativa, dificuldade de suportar as tarefas cotidianas),
estreitamento do campo vivencial (anedonia ou incapacidade de sentir prazer)
sofrimento moral (manifestado através dos sentimentos de inferioridade,
incompetência, culpa, rejeição, autodepreciação,
autoacusação). Além disso, ela poder ter origem endógena
(biológica e predisposição hereditária) ou exógena,
nesse caso ela seria desencadeada ou atribuída a fatores externos (stress,
desemprego, situações de luto, adversidades profissionais e familiares,
tensão, doença física, álcool, drogas ilícitas,
medicamentos). Esses últimos podem tanto desencadear quanto agravar a
doença.
Quem sofre de depressão, ou já passou por um
episódio depressivo sabe das suas implicações nas diversas
áreas, incluindo a esfera sexual. Isso quer dizer que quando se está
em depressão, aumenta a probabilidade da pessoa passar por um período
de inapetência, por exemplo. A recíproca também é
verdadeira: é possível que pessoas que sofram de disfunções
sexuais, ao encontrar dificuldades em entender e solucionar o problema, desenvolvam
uma angústia capaz de levar a uma situação de depressão.
No caso de mulheres com queixa de disfunção sexual (seja dela
ou do parceiro), profissionais que atuam nessa área relatam que a depressão
também pode ser um fator desencadeante ou resultante da disfunção
sexual.
Uma vez diagnosticada a depressão o tratamento recomendado
pela maioria dos médicos é a administração de antidepressivos
(que pode afetar a sexualidade causando inapetência, distúrbios
eretivos e retardo do orgasmo do indivíduo). A escolha da medicação
é importante e cabe ao médico avaliar caso a caso. Ele deve ainda
informar sobre os efeitos da medicação quanto aos possíveis
problemas que podem surgir na esfera da sexualidade. È imprescindível
que o indivíduo faça uma psicoterapia associada a medicação,
na tentativa de um melhor relacionamento com o meio e como forma de buscar ao
máximo o equilíbrio tão necessário nas suas relações
interpessoais tendo também como conseqüência uma melhora na
sua sexualidade. Kelly Cristine Barbosa Cherulli
Psicóloga e Sexóloga |