O diagnóstico do câncer, qualquer que seja o
tipo, o estágio ou localização da doença cai como
uma sentença mortal para o paciente. Com os avanços da ciência
médica, atualmente sabemos que quanto mais cedo é feito o diagnóstico,
maior é a possibilidade de cura. Isso quer dizer que a cura depende do
estágio da doença, da resposta de cada paciente ao tratamento
recomendado e por que não, da vontade de Deus.
Nesse artigo falaremos dos pacientes que recebem esse diagnóstico,
mais especificamente das mulheres que receberam a notícia de estarem
com câncer de mama. A Mama é um órgão de grande importância
e significação para as mulheres acumulando as funções
de nutrição e alimentação dos recém nascidos,
além de possuir também uma conotação sexual (as
mamas são órgãos bastante atraentes aos olhos masculinos)...
Dor (física=cirurgia), desespero, revolta, medo (da
morte, da perda da mama) , insegurança, baixa de auto estima, inapetência
sexual são os principais sintomas, mais facilmente detectados pelo médico
e/ou terapeuta. O comportamento da mulher em geral sofre uma profunda mudança
e isso inclui a sua sexualidade.
Em geral a mudança no comportamento sexual está
diretamente ligada a queda da auto estima, a insegurança, e muitas vezes
á vergonha do próprio corpo. Não estou falando de ditadura
do silicone e dos peitos durinhos, embora reconheça que possa agravar
os sintomas, mas sim do medo e da vergonha da mutilação pelos
quais essas mulheres passam, além de todo sofrimento e dor do tratamento
(cirurgia, radioterapia, quimioterapia, além de outros).
A mastectomia radical (retirada total da mama) tem sido evitada
pelos médicos, salvo em certos casos, e a mastectomia parcial (retirada
de uma parte da mama), faz com que a mulher sinta-se profundamente abalada.
Dessa forma, são muitas as pacientes que relatam se sentirem deformadas,
pouco atraentes, pouco femininas. Assim a inapetência sexual é
perfeitamente aceitável e compreensível.
Em minha experiência com essas mulheres posso dizer que
seu comportamento sexual evolui para uma retomada conforme o quadro, ou melhor,
o organismo responde ao tratamento. Mesmo assim, muitas vezes alguns relacionamentos
não sobrevivem. Nesse caso caberá a mulher que esteja passando
por esse momento difícil superar toda sua dor, para que possa redescobrir
e exercer sua sexualidade. Isso requer o acompanhamento do médico ou
terapeuta.
Não tenha medo. Faça sempre o auto-exame, peça
ao seu médico para lhe ensinar como fazê-lo. Após 40 anos
faça exames periódicos, se possível comece antes dessa
idade. Procure esclarecer todas as dúvidas e se acontecer o pior, lembre-se
que a prevenção é o melhor tratamento.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli Psicóloga e Sexóloga
|