Existe um ditado, no Brazil que diz o seguinte: "quando
um não quer dois não brigam". Acredito que em outras culturas,
em outros países deva existir algo similar. Isso quer dizer que nem sempre
as vontades das pessoas acabam coincidindo e nesse caso é preciso respeitar
a vontade do outro de forma que a convivência entre as pessoas ocorra
com um mínimo de civilidade e harmonia.
No caso do sexo não é diferente. Quero dizer que
nem sempre os desejos entre parceiros são os mesmos, ou seja, que o desejo,
a vontade, a necessidade de um nem sempre será correspondida pelo outro.
Independente da necessidade do homem ou da necessidade da mulher
faz-se necessário respeito e consideração entra as pessoas
também quanto à sexualidade. Um exemplo muito corriqueiro é
à vontade, o desejo, a necessidade maior de fazer sexo que um parceiro
pode apresentar em relação ao outro.
Em consultório muitas das queixas sexuais dizem respeito
ao exemplo acima. A maioria dessas queixas vem de mulheres que por falta das
vontades coincidirem, acabam arrumando desculpas para não se relacionarem
sexualmente com seus parceiros ou fingindo na relação. Para estas
mulheres o sexo passou a ser uma obrigação, assim elas acabam
cedendo aos desejos do outro para evitar conflitos maiores.
Em relação ao sexo não deveria ser difícil
dizer Não, simples e diretamente, mas não podemos nos esquecer
que a sexualidade sofre influência direta e indireta de diversos fatores
já citados em outros artigos. No meu entender, nesse caso, infelizmente
as mulheres ainda sofrem resquícios de uma educação culturalmente
machista, onde a vontade do homem deve se sobrepor a da mulher, daí a
dificuldade de se aceitar a recusa.
Meu conselho para estas é que nenhum relacionamento homo
ou heterossexual sobrevive muito tempo a mentiras, desculpas e fingimentos.
Ninguém deve se sentir inferior ou culpado por não querer fazer
sexo naquele momento, nem deve cair na chantagem emocional do parceiro para
simplesmente satisfazer o seu desejo. Excluindo os casos de inapetência
sexual, onde existe uma ausência total de desejo que deve ser tratado
para minimizar as dificuldades na relação, faz-se necessário
um diálogo franco com o parceiro. Simplesmente diga sim ao prazer e não
a obrigação.
Diferenças podem e contribuem para o desgaste nos relacionamentos,
mas também podem ser construtivas se tratadas com consideração
e respeito de forma a fortalecer a união. É importante lembrar
que sexo é prazer, é vida, é amor, é entrega. Portanto
diga quais as suas vontades, quais os seus limites, seja sincera e explique,
se quiser o porquê da sua falta de disposição naquele momento.
É simples, e se o relacionamento for sincero, ele ou ela irá entender.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli
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