A retomada das atividades sexuais em geral é protelada, em nossa cultura, até seis semanas após o parto. No entanto, essa atitude não é universal. Já foi verificado que em diferentes culturas existe uma ampla variação quanto ao reinício da atividade sexual. Povos como os Chukchee, da Eurásia, e os nativos das ilhas Marquesas, na Oceania, aceitam o restabelecimento da atividade sexual uma ou duas semanas depois do parto. Outros o proíbem até o fim da lactação. Nas sociedades tribais, a lactação pode durar até dois ou três anos. É o caso, por exemplo, dos Daomeanos, na Africa, dos Abipone, na América do Sul, e dos Chiricana, na América do Norte. O motivo dessa abstinência é evitar nova gravidez. Esses grupos primitivos acreditam — aliás corretamente — que uma nova gestação, enquanto a mulher amamenta, faria cessar a produção de leite, e a criança teria que ser desmamada prematuramente. Alguns povos, como os Thonga e os Swazi na Africa, proíbem a relação sexual com penetração nesse período, mas admitem outras formas de estimulação sexual. Nas sociedades polígamas permite-se que o marido de uma lactante mantenha relações sexuais com outras esposa. Ou em certos casos, com moças solteiras, que é quando o código social aceita relações pré-conjugais para as mulheres. Até três meses após o parto a sexualidade é influenciada de forma direta pela lactação. Muitas mulheres afirmam sentir pouco interesse pelo sexo, alegando fadiga, corrimento vaginal e dor nas relações sexuais. Outras mulheres expressam preocupação por possíveis lesões dos órgãos genitais, no caso da penetração ser retomada precocemente. No entanto, outras mulheres relatam ter interesse precoce pela atividade sexual, duas ou três semanas após o parto. Entre elas, boa parte amamentam seus bebês. Elas apresentam um nível de interesse sexual superior ao que haviam experimentado antes da gravidez e uma intensa sensação de erotização, provocada pela sucção dos mamilos durante a amamentação. Algumas mulheres atingem níveis de excitação correspondentes à fase de platô (que antecede imediatamente o orgasmo), enquanto o bebê mama, e outras chegaram mesmo a ter orgasmo. Muitas dessas lactantes apresentam uma curiosa reação mamária à estimulação sexual. Durante e imediatamente após o orgasmo (induzido pela penetração ou por masturbação) têm uma perda incontrolável de leite. Outras mulheres ficam tomadas por um forte sentimento de culpa, em decorrência do erotismo relacionado com a amamentação. Mostraram-se ansiosas por reiniciar sua atividade sexual o quanto antes, procurando assim evitar as sensações que lhes pareciam pervertidas. Outras se recusam a amamentar, alegando como principal motivo a não aceitação desse ato natural por parte de seus maridos. Outras acham a amamentação antiestética ou degradante. A incapacidade de aceitar os aspectos sensuais da amamentação, como um componente normal de sexualidade feminina, resulta da deformação cultural que caracterizou a sociedade ocidental nos últimos séculos. Em nossa cultura repressiva, o sexo é considerado um atributo inferior, algo impuro, tolerável apenas para a perpetuação da espécie. Assim, não se pode aceitar a associação entre a imagem idealizada e “dessexuada” da mãe e uma gratificação sensual resultante da maternidade. Em contraste com essa atitude repressiva, um número crescente de mulheres busca se libertar desses preconceitos e assumir a lactação como o processo fundamental na relação mãe-filho.
Jonatas Dornelles Antropologo
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Pregnancy Sex Positions .- Posiçoes sexuais para ser praticadas quando a mulher esta gravida.
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