“João que amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado para a história”.
Esse poema é de Carlos Drummond de Andrade, um dos melhores poetas brasileiros
deste último século, e nos fala de amores correspondidos e não correspondidos,
de destinos, de novas relações, enfim das emoções que fazem parte de qualquer
relacionamento humano. Essa foi a forma que interpretei o poema quando o li
pela primeira vez, ainda nos tempos de estudante do segundo grau. Naquela época
(década de 80) era comum vermos rapazes e moças que antes de iniciar um namoro,
“enrolar” com alguém (significava estar com alguém por um período de tempo até
se decidirem se queriam namorar ou não). Atualmente, a moçada prefere “ficar”
(estar com alguém por uma ou algumas vezes, sem nenhum tipo de compromisso).
Em relação ao sexo, se ele vai existir ou não depende da vontade
do casal.
Da ingenuidade do amor do poema acima, passamos ao sexo: “fazer
amor”, “transar”, “ficar”, ter uma relação sexual, implica
sentir prazer e pode vir ou não acompanhado por um sentimento. É aqui que entra
a responsabilidade sexual. A troca constante de parceiros implica em responsabilidade,
pois se não houver nenhum tipo de prevenção haverá sempre a possibilidade de
uma gravidez indesejada, além de que um ou ambos contraiam qualquer tipo de
DST ou mesmo a AIDS.
A responsabilidade sexual implica saber respeitar os seus sentimentos
e o seu corpo; é saber respeitar os sentimentos e o corpo do outro; é pensar
e tomar providências em relação a métodos contraceptivos e de prevenção contra
doenças sexualmente transmissíveis; é ter certeza ou clareza quanto ao significado
e objetivo da relação para você e para o outro; é falar com sinceridade sobre
sentimentos e desejos de forma que não fique nenhuma dúvida quanto ao que você
e o outro pretendem, tanto emocionalmente quanto sexualmente.
Todos vivem essa busca de prazer e amor. O amor pode ser platônico
ou real, pode ficar apenas no carinho, como pode passar para as carícias e para
uma relação sexual. O amor retratado no poema, não fala em AIDS e DSTs, mas
sabe-se que hoje não podemos ignorar a existências dessas doenças e suas conseqüências.
Em relação às mesmas, sua forma de contágio, disseminação, evolução, tratamentos
podem ser encontradas na internet, artigos de jornais e revistas, documentários
e outros. Além disso, médicos, psicólogos, sexólogos e profissionais da área
de saúde podem orientar e esclarecer qualquer dúvida a respeito.
Amar é bom, é maravilhoso. Fazer amor (transar, enrolar, ficar,
seja qual for o denominação) também é muito bom, mas pode ficar melhor ainda
se houver responsabilidade. Proteja-se, previna-se. Faça sexo seguro, com responsabilidade,
ou então não faça.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli Psicóloga e Sexóloga |