A pedofilia é a atração sexual de um adulto por crianças. Tendo medo do corpo adulto, o pedófilo encontra no infantil a inocência e a simplicidade que procura. É um covarde, já que abusa e traumatiza uma pessoa que ainda passa por um processo de formação física e emocional.
Os pedófilos podem ser enquadrados em três grupos: a) aqueles em que a sexualidade se mistura com sentimentos paternais; b) aqueles em que se mistura com agressão; e, c) o grupo dos que sentem atração por crianças e são levados a atos isolados em meio a uma vida aparentemente normal. O primeiro grupo tende a ser constituído por homens solitários e inadaptados ao meio social. Geralmente não desejam fazer mal, embora causem sérios danos à criança e sua família. São indivíduos que não conseguem enfrentar os compromissos e desafios
do relacionamento sexual adulto. Sendo assim, buscam se relacionar com as crianças, que os intimidam menos. Neste caso estamos diante de um adulto medroso e imaturo. Os pedófilos do segundo grupo são potencialmente mais perigosos, com fantasias sádicas de domínio. O mais trágico dos casos
é o do indivíduo que, do dia para a noite, abusa sexualmente de uma criança (terceiro grupo). Esse caso é muito perigoso e recorrente, já que o culpado não manifesta nenhuma desconfiança prévia.
São recorrentes os casos em que os agressores são parentes próximos.
Em todos os casos são causados traumas que a criança levará
por boa parte da vida.
De maneira geral, esse distúrbio é explicado como resultado de
um tipo de relacionamento do pedófilo, quando criança, com os
seus pais. Por exemplo, quando a ligação com a mãe impede
o jovem de transferir sua afeição a outra mulher, sua sexualidade
genital pode ficar isolada dos demais aspectos da vida emocional. O que produz
fantasias e comportamentos compulsivos.
Também não podemos esquecer que na sociedade Ocidental existe
uma grande valorização da juventude. No século XX, especialmente
depois do nascimento do rock and roll, parecer jovem significa ser saudável,
atualizado, moderno e feliz. Não são raros os casos em que pessoas
com idades avançadas buscam parecer jovens através de cirurgias
plásticas, vestimentas ou hábitos "jovens". Não
quero censurar essa busca. Pelo contrário, ela é saudável
e "prolonga a vida". No entanto, desconfio que um fascínio
extremo pela juventude, em alguém que também sofra de desequilíbrios
psicológicos, pode resultar em práticas pedófilas. Tudo
isso agregado a uma enorme valorização do sexo na sociedade atual.
Os seres humanos aprendem que o "normal" é ter excitação
sexual a partir de um relacionamento com outro ser humano: do sexo oposto, com
idades próximas e estilos de vida semelhantes. Hoje em dia é menos
censurável uma união homossexual e o relacionamento entre pessoas
com grande diferença de idade. No entanto, quando o indivíduo
se excita independentemente dos relacionamentos pessoais, podem surgir estranhos
comportamentos, tais como: atração por animais, velhos, crianças
e até mortos. Essas formas de atração evidenciam a incapacidade
e o medo do indivíduo de enfrentar um relacionamento amadurecido, no
qual a satisfação do parceiro é tão importante quanto
a própria. Jonatas Dornelles Antropólogo |