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Há até pouco tempo atrás, pensar que a mulher fazia sexo com seu parceiro somente por obrigação era algo comum e até estimulado. Quem decidia quando fazer sexo era o homem e às mulheres só cabia o dever de aceitar, pois elas deveriam ser obedientes a seus maridos e não negarem sexo a eles. Uma das explicações para isso se encontra nos ensinamentos da Igreja Católica, que promoviam o sexo para reprodução com o intuito de aumentar o número de cristãos e a população para a mão-de-obra.
Pode-se pensar que hoje em dia isso não acontece mais, afinal de contas, a mulher se libertou das amarras na revolução sexual ocorrida na década de sessenta. Realmente, muito foi ganho em termos de sexo para as mulheres, podendo elas ficarem mais à vontade, tendo direito a obter um orgasmo sem ser vista como libertina, poder escolher seu parceiro, e ainda, evitar a gravidez.
Porém, nem sempre as mulheres fazem sexo porque têm desejo sexual. Muitas delas, entre solteiras e casadas, ainda estão presas ao padrão de satisfação do homem. As solteiras para “segurar” o relacionamento, pois pensam que se não fizerem sexo com seu parceiro, ele procurará outras mulheres, e as casadas, porque o sexo é indispensável no casamento, mesmo quando elas não estão com vontade de praticá-lo.
Ainda existe no inconsciente coletivo a idéia de que o homem é que tem poder sobre a sexualidade e que a mulher deve servi-lo em seus desejos mais íntimos. Pode-se perceber isso quando se pensa no número de mulheres que não conseguem atingir o orgasmo, não conseguem relaxar e manter uma vida sexual satisfatória.
Esse discurso pode parecer machista, mas além de machista ele é real. A mulher sabe que seu parceiro não vai resistir a uma noite de amor, e pode fazer de tudo com ele, só para mantê-lo por perto. E este desejo de mantê-lo por perto não está ligado a amor, pode ser por necessidade de manter o status, de ter quem ajude com as despesas, ou ainda, medo de ser abandonada.
Todos os acontecimentos da história da humanidade têm seu lado positivo e negativo. Em relação à liberação sexual feminina, pode-se pensar que a partir disso as mulheres tiveram mais liberdade de aproveitarem o sexo e seu corpo. Por outro lado, criou-se a obrigação de gostar de sexo e de fazê-lo, independente do desejo. E sabe-se que para a mulher, o desejo é fundamental para a obtenção do orgasmo, pois esse não está no corpo somente, mas principalmente na mente de cada mulher.
Por isso, falar em sexo por obrigação não é algo longe da realidade de muitas mulheres. Algumas podem praticar sexo achando que estão satisfeitas, mas na verdade, estão apenas buscando se igualar ao que é exigido delas hoje em dia: disponibilidade sexual. E também, buscando, no sexo, a segurança de não perder seu marido/companheiro.
Sexo é saúde, e deve ser praticado para a obtenção do prazer. Uma vida sexual sem prazer não é saudável, e praticar o ato sexual não deve estar subjugado a outras intenções.
Por Anne Griza
Psicóloga
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