Conforme dados de fundações internacionais de pesquisa, somente vinte e cinco por cento da população feminina mundial tem um orgasmo na vida. Pode parecer estranha esta proporção, mas ela é real. O que se pode pensar é que muitas mulheres fingem ter orgasmo durante a maioria de suas relações sexuais, muito pelo fato de serem cobradas quanto à sua performance, já que a liberação sexual permitiu que elas tivessem esta experiência.
Ter um orgasmo é algo que se aprende, não acontece de uma hora para outra. Durante muito tempo, as mulheres não podiam sentir prazer durante o ato sexual, eram reprimidas a ponto de se dirigirem a seus companheiros como subalternas de um soberano, dono da verdade. O sexo era feito no escuro, quando o homem queria, mesmo a mulher não concordando com isso. O prazer era destinado às prostitutas, que alegravam e satisfaziam os homens.
No último século, porém, houve a liberação sexual, fato este que mudou a forma de pensar e de agir de muitas mulheres. Elas passaram a competir muito mais no mercado de trabalho, dividir as tarefas domésticas e também querer sentir prazer durante o ato sexual.
Mas o orgasmo não acontece sem uma boa relação da mulher consigo mesma. Ela precisou se reconhecer, conhecer seu corpo, seus sentidos e sentimentos e aprender a lidar com toda a responsabilidade sobre sua sexualidade. Ela precisou derrubar séculos de repressões e de imagens denegridas do sexo feminino.
Isso se reflete em muita insegurança, até hoje, acerca do que é o ato sexual e de como levar a cabo o orgasmo. Sentir-se numa relação sexual como um dos agentes da atividade é muito diferente de se deixar levar por um parceiro que toma todas as decisões, do princípio ao fim da relação. Agora o sexo é uma troca e, dependendo de como a mulher lida com isso, ela pode ou não chegar ao clímax.
A mulher precisa estar bem consigo mesma e com sua vida em geral, para poder se entregar a este momento de corpo e alma. Qualquer alteração de rotina causa desconforto, assim como acontece com os homens. Uma relação afetiva que não esteja boa já é motivo para que o orgasmo seja difícil, problemas financeiros, de moradia, de saúde ou outros podem interromper o curso do orgasmo.
Ainda, muitas mulheres pouco conhecem seu corpo e de que forma poderiam atingir o clímax. Muita delas não se masturbam para conhecer seus pontos de maior sensibilidade, e outras nem sabem o que é um orgasmo, como ele se reflete no corpo na hora do ato sexual.
Por isso, não é de se espantar que ainda hoje, muitas mulheres não atinjam o orgasmo. Elas apenas fingem um prazer que podem nunca ter sentido, ou que alcançaram em tempos mais remotos. Conhecer a si mesma, seu corpo, seus sentimentos é chave para conseguir uma vida sexual sadia.
E mesmo sem orgasmo, o prazer do ato sexual em si já é válido para manter uma boa relação com o parceiro e consigo mesma. Buscar o orgasmo de todas as formas pode até atrapalhar a relação sexual e a relação afetiva, pois haverá muito mais frustração do que deixar o ato sexual acontecer de forma a aproveitar tudo, não só o fim.
Por Anne Griza Psicóloga
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