Algumas famílias nunca mencionam ou percebem qualquer coisa
sexual. Isso é uma forma de negar o sexo. Adultos criados dessa maneira
irão mais tarde negar o sexo através de declarações
do tipo: "Sexo não é tudo"; ou, "Eu não
consigo ver nada de especial no sexo". Algumas dessas pessoas podem se
comportar inconscientemente de maneira a negar a existência do sexo e
do prazer sexual. Isso pode levar à impotência ou ao vaginismo.
Ou seja, relações sexuais dolorosas causadas por espasmos dos
músculos que circundam a entrada da vagina.
Outras famílias procuram suprimir os interesses sexuais
alegando que essas coisas são "sujas", da mesma maneira como
qualquer interesse nas excreções do corpo é considerado
como sendo uma "coisa suja". Para muitos em nossa sociedade, "sujeira
é sinônimo de sexo". Crianças educadas dessa forma
crescem com a idéia de que sentir prazer sexual é algo impuro.
Quando o conhecimento das doenças venéreas é
adquirido mais tarde, essas pessoas podem desenvolver um temor dessas doenças
como uma maneira de expressar uma restrição à atividade
sexual. Ou ainda, como uma crença depressiva e autopunitiva de que a
doença venérea é um castigo para alguma aventura sexual.
Uma outra crença inibidora é a de comparar o sêmen e os
fluidos vaginais às excreções, impossibilitando qualquer
forma de sexo oral devido a essa associação inconsciente.
Famílias religiosas muitas vezes enfatizam a pecaminosidade
do sexo, que é uma ofensa a Deus. O qual "certamente" distribuirá
muitos castigos e punições por qualquer interesse nesses assuntos.
Alguns pais ensinam a seus filhos que o sexo e a expressão sexual são
coisas vergonhosas. Meninos e meninas são vulneráveis a esse tipo
de ensinamento, pois são dependentes do afeto de seus pais.
Quando adultos, tais indivíduos podem ficar a tal ponto
envergonhados que não conseguirão sequer admitir que alguém
toque ou olhe para seus órgãos genitais. Ou ainda, não
conseguirão ter pensamentos sexuais, sentir-se sexualmente excitados
ou desejar relações sexuais.
Uma punição direta, de natureza psíquica
ou cultural, cria uma atitude temerosa em relação ao sexo. Algumas
pessoas demonstram sinais de medo assim que ficam sexualmente excitadas. Elas
podem ficar tão agitadas e tensas com a aproximação do
orgasmo que este simplesmente não acontece.
Na nossa cultura machista, as meninas são mais reprimidas
do que os meninos, recebendo uma série de preceitos comportamentais,
dizendo como uma "boa menina" se comporta. Quando adultas, mesmo que
possam acreditar que conseguiram se libertar de todas essas bobagens, grande
parte das mulheres acaba modificando o seu comportamento sexual com a finalidade
de se enquadrar nesses padrões. Em diferentes níveis, as mulheres
ficam inibidas até mesmo dentro do contexto do casamento, em relação
a como mostrar seus corpos livremente, tomar iniciativas, participar livremente
das atividades sexuais preliminares ou masturbatórias.
É difícil impedir que pais conservadores e famílias
tradicionais reprimam o desejo sexual dos jovens. O que certamente levará
a existência de adultos com medo de sexo. Para tais adultos, ou aqueles
ainda jovens, descobrir que o seu impulso sexual é limitado devido a
restrições familiares vividas na juventude, já é
um passo no sentido de combater o medo em relação ao sexo.
Jonatas Dornelles
Antropólogo |