A capacidade de ter um comportamento sexual com o sexo oposto
e de amar alguém desse sexo, desenvolve-se em diferentes estágios
da adolescência. Na puberdade, ou logo após, o interesse pelo sexo
aumenta rapidamente, da mesma maneira como aumenta a incidência da masturbação.
Apesar de geralmente sentir medo, a maior parte das pessoas, de
ambos os sexos, começa a ter experiências com o sexo oposto já
na adolescência. O progresso tende a ser lento para a maior parte delas
e é conseguido ao lado de diversos parceiros. Assim, uma garota pode
beijar pela primeira vez um rapaz aos treze anos de idade e depois, gradativamente,
ir progredindo até chegar a um relacionamento sexual completo aos dezoito
ou dezenove anos.
No caso dos rapazes isso é mais variável. Para os
rapazes, principalmente nessa fase, qualquer pessoa disposta e disponível
serve. Seus interesses são pelo próprio sexo e não pelo
relacionamento, ao passo que as garotas se interessam mais pelos aspectos românticos
do sexo. Obviamente, essas condutas são predisposições
aprendidas culturalmente.
Embora nosso aprendizado do amor se inicie praticamente no momento
em que nascemos, a capacidade de amar alguém do sexo oposto surge mais
tarde. É quando surge o sentimento de amar alguém que também
seja sexualmente preferível a todos os demais. Esse sentimento somente
emerge no fim da adolescência ou pouco tempo depois.
Escolhas efetuadas antes desse período, não importa
quanto as duas pessoas acreditem se amar, tendem a não ser duradouras.
Algumas pessoas nunca desenvolvem a capacidade de amar alguém completamente,
ao passo que outras são incapazes de considerar a pessoa amada como um
parceiro sexual também.
Assim, tanto o desenvolvimento da capacidade sexual como da capacidade
de amar podem não dar certo no início. Porém, quando tudo
dá certo, a possibilidade de expressar ambos os aspectos com alguém
do sexo oposto passa a existir.
Quando isso acontece, o indivíduo não está
amando simplesmente pelo prazer de amar, nem está mantendo relações
sexuais simplesmente porque isso é um alívio para as suas tensões
sexuais. A base da escolha foi centralizada na personalidade e na capacidade
de compreender e de se comunicar com o parceiro.
Existe maior probabilidade de haver harmonia no relacionamento
sexual nos casos em que as personalidades e os backgrounds culturais sejam similares.
Portanto, para a maior parte das pessoas, o alicerce para um relacionamento
satisfatório entre um homem e uma mulher é a amizade. Os indivíduos
têm então a possibilidade de expressar seus sentimentos no amor
e em aceita-lo, bem como no relacionamento sexual físico.
Como os homens e as mulheres, de uma maneira provavelmente inata,
possuem qualidades complementares e não conflitantes, eles podem cooperar
quando bem escolhidos, dando apoio mútuo um ao outro. Apesar de ser possível
discordarem dessa opinião, parece que esse é o contexto ideal
para que um homem e uma mulher encontrem possibilidade de se expressar, de encontrar
satisfação, segurança, e uma certa finalidade de vida.
O que, para a maior parte das pessoas, também inclui a geração
e educação de filhos.
Jonatas Dornelles
Antropólogo |