Para uma grande maioria das pessoas, falar sobre sexualidade
ainda é considerado um tabu, embora vivamos em pleno século XXI, e a realidade
que a sociedade nos apresenta diante desse assunto seja bem diferente, com
muito mais liberdade de expressão, enfim...Mas a questão é que se falarmos
ou não de sexo com quem quer que seja, a sexualidade está aí, está em nós,
e precisamos para o nosso bem estar emocional, estarmos ciente de que quanto
mais informações a respeito desse assunto tivermos, melhor para nós, pois
isso irá se refletir em nossos relacionamentos com nossos parceiros, amigos,
filhos, pois estamos no mundo para nos aperfeiçoarmos e isso só ocorre com
aprendizagem, com educação sexual..
Torna-se muitas vezes complicado conversar sobre sexo, de
sexualidade com os filhos adolescentes (creio que a maioria dos pais pensa
assim e possuem alguma dificuldade nesse aspecto). Mas e porque ocorre essa
dificuldade? A adolescência é um período tão difícil assim? Ou estes já estão
se sentindo tão bem preparados para uma vida sexual ativa que nem precisam
de informações? Vejamos um pouco sobre o que ocorre sobre esse processo sexual
na adolescência.
Durante a infância as necessidades libidinosas estiveram
polarizadas em regiões definidas do corpo, como a boca e a pele, isso nos
primeiros anos de vida, assim como a região anal, e seguindo até a genitália
por volta dos quatro ou cinco anos de idade.
Quando atinge a puberdade, que por si só já vem acompanhada
de modificações físicas, sendo provocado pela secreção dos hormônios sexuais,
esse púbere vai sentir-se estimulado a resolver essas necessidades instintivas,
que até então eram desconhecidas pra esse adolescente, tentando buscar e saciar
suas satisfações em experiências amorosas e genitais.
A adolescência é marcada por um período onde se combina toda
essa tendência anterior, o que acaba por resultar num tipo de conduta que
não se relaciona só com a sexualidade, mas também em outras áreas, como relações
interpessoais, no trabalho, o que o caracteriza num ser social. Ser adolescente
se torna uma busca incessante de uma identidade sexual psicológica, dentro
de um contexto social.
Com a maturação física que o adolescente adquire para o ato
sexual, isto não ocorre de maneira tão simples e natural, pois existem as
influências da repressão sexual, que ainda existem. É bem verdade que nos
dia de hoje, há uma liberdade bem maior de atuação sexual, mas a superação
dos preconceitos não acompanhou essa liberdade sexual.
O sexo, a realização sexual e afetiva, a vida a dois, continuam
sendo fontes constantes de preocupação, pois são assuntos que merecem total
relevância. Devido a falta da harmonia e realização sexual ou a existência
de problemas nesta área acabam por originar graves inquietações, chegando
em muitos casos a alterar motivações para os demais interesses de nossa vida
social.
A liberdade sexual, tão apreciada na atualidade, pode não
estar sendo tão fácil de usufruir por parte dos jovens adolescentes.Pois assim
como esses já possuem precocidade de relacionamentos sexuais, independe do
nível de conhecimentos e do grau de amadurecimento físico e psicológico para
essa iniciação. E enquanto, as relações sexuais “parecem” se isentar de tabus,
medos e preconceitos, o relacionamento interpessoal e social começa a mostrar
sinais evidentes de dificuldades.
Como averiguamos isso? Pelo aumento à procura de uso e abuso
de álcool e drogas, assim como o incremento da homossexualidade, a promiscuidade,
o índice alto de gravidez indesejada, de doenças sexualmente transmissíveis,
e também pelo grande número de separações precoces.
Nesse instante, onde se percebe que a sexualidade dos jovens adolescentes
está sendo prejudicada, torna-se inevitavelmente necessário a educação sexual
dos jovens.
A maioria dos jovens adolescentes pensa que sabem tudo sobre
sexo, porque conversam muito com seus grupos de amigos, lêem bastante “revistas”
sobre o assunto, assistem filmes, e por isso acham que se sentem preparados.
Todavia, se colocarmos um grupo de adolescentes com um ou dois profissionais
da área da saúde, seja clínico geral ou psicólogo, ou sexólogo, irá certamente
surgir muitas dúvidas, e então chegaremos à conclusão que os nossos jovens
ainda engatinham na busca de informações sobre sexo, sexualidade. E é conosco,
profissionais da área da saúde, que os jovens podem ter tranqüilidade e confiança
para esclarecerem suas dúvidas. O autoconhecimento é à base de uma vida emocionalmente
saudável. Viva assim e verás.
Adriana Sommer da Costa
Psicóloga e Sexóloga |