As preocupações com a sexualidade sempre foram de uma forma ou
de outra, motivo de atenção, porém as prioridades é
que foram ocupando rumos diferenciados. Em tempos passados, a questão
da reprodução era a mais enfática, até porque a
mulher ainda não havia se libertado sexualmente. O sexo nessa época
tinha como foco apenas a procriação. E se tratando disso, a sexualidade
não tinha a menor importância, pois a descoberta de se sentir mulher,
ter suas próprias vontades, de ser mais ativa numa relação
sexual e impor seus desejos para a obtenção do orgasmo vieram
mais tarde. A sexualidade abrange muita a auto-estima, e é essa questão
que postou as mudanças para a liberdade sexual da mulher.
Visto isso, é que tento abordar aqui, a importância da sexualidade
nos dias de hoje, e de estabelecer as diferenças entre sexo e sexualidade.
A sexualidade é ampla demais para ser comparada ao sexo, que se trata
de um ato em si, com inicio, meio e fim. É evidente, que não estou
separando as coisas, sexo e sexualidade andam sempre juntas, estão intimamente
interligadas, mas possuem extensões completamente distintas.
No sexo, o que existe é uma entrega corporal, onde os desejos e os impulsos
(que provém de uma resposta em nível cerebral),isto é,
todo o funcionamento que envolve o ato sexual tem seu inicio no hipotálamo-parte
do cérebro responsável pela libido, emoções, e que
irá num processo fantástico da natureza inteligente do ser humano,
enviar respostas sexuais para o restante do corpo, através da excitação
sexual, das sensações de prazer, ejaculação, orgasmo,
refletindo também, é claro, na parte afetiva de todo o comportamento
sexual.
Já na sexualidade, se está inserida toda uma concepção
do corpo, a genitália (que vai ditar toda uma educação
acerca do que a sociedade espera), as sensações, desejos, as manifestações
comportamentais (que aparecem e que vão se moldando pelo seio familiar),
a orientação dos pais e/ou pessoas que cuidam, a cultura, a sociedade,
e tudo o que está ao nosso redor. É todo esse conjunto de fatores
que se desenvolve com a sexualidade do ser humano, desde em que se é
concebido até o fim da vida.
As pessoas se manifestam no sexo, na cama, diferentemente. O prazer, as sensações,
os desejos, fantasias, tudo dependerá de seu jeito de ser, da personalidade
de cada um.
Vejamos dois exemplos clássicos: Uma pessoa de carateristicas mais tímida,(personalidade
introvertida) irá se sentir bem mais retraído na questão
de seus impulsos sexuais, o que pode ocasionar situações de gratificação
sexual de modo mais solitário, como tocar um instrumento, pintar, colecionar
obras de arte, e fazendo uso freqüente da masturbação.
Em um caso contrário, há as pessoas mais expansivas (personalidade
extrovertida), que terão mais variedade de expressão sexual, utilizando-se
mais de seu corpo, da linguagem verbal em conquistas. A variedade e a curiosidade
por novas experiências e sensações sexuais são bem
mais encontradas nesse tipo de pessoa.
Não existem regras, quando o assunto é sexualidade, pois os fatores
que intervem no ser humano para a formação de caráter e
personalidade do ser humano são muitas. Sexo e sexualidade nascem juntas,
mas tomam rumos diferentes no decorrer da vida, porém estarão
sempre unidas no intimo de cada um, se manifestando sempre, no decorrer da vida.
Adriana Sommer da Costa
Psicóloga e Sexóloga |
Tanto homens e mulheres apresentam essas queixas de uma forma comum: um parceiro
apresenta maior apetite sexual que o outro. Alguns se queixam de que seus parceiros
querem fazer sexo todos os dias, ou até mesmo várias vezes ao
dia. Para essas pessoas essa situação traduz uma "anormalidade"
de si própria, porque não tem essa libido, acham que seu parceiro
tem uma libido exagerada. Em minha prática clínica, essa queixa
aparece em sua maioria entre as mulheres, o que não quer dizer que não
sejam feitas pelos homens.
A questão da freqüência sexual entre os parceiros em geral
está diretamente ligada à libido de cada um, bem como da rotina
sexual estabelecida por eles. A libido é a tradução do
desejo sexual do ser humano, apresentando variações de intensidade
(maior ou menor) em indivíduos diferentes. Acontece que quando um dos
parceiros apresenta uma libido maior que a do outro acaba acarretando certo
incômodo na relação, que denominamos inadequação
sexual.
É importante saber se a libido de cada um sofreu mudanças em
um período de tempo, ou seja, por exemplo, se o apetite sexual era intenso
e a partir de determinado momento passou a ser diferente tornando-se menor.
Voltando ao ritmo sexual, a freqüência das relações
sexuais é estabelecida desde o início pelos parceiros. Considero
perfeitamente aceitável que um relacionamento comece de forma intensa
e com o passar do tempo haja uma diminuição natural, seja pelo
desgaste da relação ou pela rotina. Devemos lembrar que o período
da meia idade costuma apresentar fisiologicamente uma baixa do desejo.
Seja qual for o motivo das diferenças de libido, é essencial
uma conversa entre o casal para tentar resolver da melhor maneira esse incômodo,
muitas vezes responsável por brigas e desavenças, de modo a tornar a sua vida
sexual menos frustrante e mais prazerosa. |