A bissexualidade é uma forma de comportamento sexual que mistura outras
duas: a heterossexualidade e a homossexualidade. A primeira refere-se aos relacionamentos
sexuais entre indivíduos de sexo diferente e a segunda, aos relacionamentos
entre indivíduos de mesmo sexo.
O homossexualismo, que atualmente é defendido por alguns e repudiado
por outros, não é uma idéia nova. Os nobres da Grécia
Antiga viam no amor entre dois homens a forma mais sublime de paixão.
Esse é até um ponto de vista coerente em uma sociedade que considerava
as mulheres seres inferiores. A intolerância acentuada em relação
às práticas homossexuais é uma atitude característica
do Ocidente Cristão.
Já no Antigo Testamento da Bíblia o homossexualismo é
condenado em termos enérgicos: "Se um homem dormir com outro homem,
como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável; serão
punidos de morte e levarão a sua culpa", diz o Senhor a Moisés
em Levítico XX, 13. O cristianismo em expansão pela Europa conservou
essa severidade, e até o século XVIII os casos de homossexualismo
foram julgados por cortes eclesiásticas.
A rigor, somente as relações sexuais entre marido e mulher, voltadas
para a reprodução, eram irrestritamente aprovadas por todos os
sacerdotes e leigos cristãos. As relações antes do casamento,
o adultério e o homossexualismo eram considerados pecados mortais.
É impossível definir categoricamente uma específica situação
individual ou familiar que provoque o comportamento homossexual. O que algumas
pesquisas têm revelado é que há uma tendência ao homossexualismo
masculino quando a figura paterna é fraca ou ausente. Nesse caso, se
estabeleceria uma forte ligação do filho com a mãe e a
ela seriam dirigidos os impulsos sexuais do jovem na puberdade.
Porém tais impulsos sobre a figura feminina materna seriam reprimidos
por serem incestuosos, o que acabaria por interferir no impulso sexual sobre
outras mulheres. Na fase adulta esse indivíduo poderia identificar as
mulheres com a figura da mãe, incluindo-as no tabu do incesto.
Até onde se pode julgar pelas pesquisas, o homossexualismo é
menos comum entre mulheres do que entre homens. Há indícios de
que, para a mulher, a sexualidade genital não é imprescindível.
Quando ela rejeita os homens acaba, em geral, abandonando toda a atividade sexual,
não transferindo seus desejos para outras mulheres.
Atualmente está se tornando comum a prática da bissexualidade.
É quando o indivíduo desenvolve relacionamentos sexuais tanto
com pessoas do mesmo sexo, como do sexo oposto. Assim como o homossexualismo
masculino na Grécia Antiga, a bissexualidade do século XXI é
uma construção social do momento.
Contemporaneamente a sociedade ocidental é super-estimulada sexualmente.
O sexo está presente de forma intensa em diversos meios de comunicação
de massa, tais como televisão, cinema, música e Internet. Como
resultado temos indivíduos cada vez mais orientados a buscar o sexo (isolado
ou na forma de amor) como a principal satisfação pessoal.
Se para esses indivíduos for possível, inclusive, o envolvimento
sexual com pessoas do mesmo sexo, então a lista de possibilidades aumenta
consideravelmente. É quando, por exemplo, uma menina adolescente sente
atração tanto por sua melhor amiga (menina), como por seu colega
de aula (menino).
Jonatas Dornelles |