Esse tema é sério e merece toda nossa consideração.
Recentemente, em todo noticiário mundial, um cantor e ídolo americano
famoso, teve seu nome envolvido em um caso de abuso sexual contra um menor.
E, essa, não teria sido a primeira vez. Porém, casos que chegam
a figurar em jornais ou noticiários constituem uma pequena parcela, daquilo
que vem acontecendo em delegacias, tribunais, e grupos e consultórios
profissionais de apoio a essas vítimas.
Chamaremos de assédio sexual, qualquer tipo de coerção,
investida ou sugestão, de caráter sexual, não aceita por
quem a recebeu. Existe aqui, uma dificuldade a ser vencida: um mesmo gesto pode
ser interpretado por uma pessoa como assédio e, por outra, como demonstração
de carinho. Ou seja, depende da receptividade da cada pessoa.
O abuso sexual é definido pela investida sexual, sem o consentimento
da criança ou adolescente, na relação. O coito embora possa
existir, não é uma obrigatoriedade. Pode ocorrer pela coerção
ou com jogos de sedução afetiva, realizados por adultos. Especialistas
que trabalham na área relatam que as formas de abuso mais comumente relatadas
pelas vítimas são: as "carícias", o contato com
a genitália, a masturbação, e a relação sexual
vaginal, oral e anal. O abuso sexual pode ser cometido dentro do sistema familiar
da criança, seja por parentes (pai, mãe, tio, irmão, primo),
ou por qualquer pessoa que, mesmo sem nenhum grau de parentesco (padrasto, madrasta,
namorada do pai, namorado da mãe que a criança conheça,
um amigo íntimo da família), é capaz de estabelecer laços
afetivos através da convivência com a criança, ou com o
adolescente. Nesse caso, chamamos de abuso sexual intrafamiliar.
Nos últimos anos, é cada vez maior o número de denúncias
envolvendo casos de assédio e abuso sexual, entre crianças, adolescentes
e mulheres, que constituem as principais vítimas desse tipo de violência.
Podemos dizer, que isso ocorre em função das pessoas, estarem
cada vez mais conscientes de que devem buscar seus direitos, garantidos pela
lei.
Acredito que, um dos motivos que dificultam falar sobre o tema, seja a falta
de consenso entre as legislações dos diversos países. Estamos
falando, novamente, das influências dos valores sociais, culturais, políticos,
étnicos, econômicos, religiosos e regionais, sobre a sexualidade
humana.
Enquanto esse consenso mundial não ocorre, se você conhece alguém
que vive ou já viveu uma situação igual ou semelhante ao
que foi descrito acima, procure dar seu apoio. Incentive o adolescente ou criança
a buscar auxílio. Ter uma pessoa adulta para dividir o problema (angústias,
dúvidas, sofrimento) é fundamental para a sua superação.
Sé o caso for com você, procure ajuda nos parentes e amigos de
sua confiança ou em profissionais para sair dessa. Denuncie. Garanta
seus direitos. Lembre-se que se houver uma denúncia e o agressor não
for punido, no caso de uma nova queixa, ele será considerado reincidente,
e, provavelmente, uma futura sentença não será favorável
a ele. E, nunca se esqueça de que dizer não é um direito
seu, e, sendo assim, ninguém pode tirá-lo de você.
Kelly Cristine Barbosa Cherulli Psicóloga e Sexóloga |